O livro “Livre: a jornada de uma mulher em busca do recomeço” da autora Cheryl Strayed é para quem gosta de relatos reais de viagens, de trilhas e de acampamento. Após a morte de sua mãe com câncer e de um divórcio, se vê em uma vida sem significado, perdida. Decide, então, fazer uma trilha enorme na costa oeste dos Estados Unidos por três meses em 1995. A obra é autobiográfica e já se tornou filme. Reese Witherspoon é quem faz o papel da Cheryl, a protagonista!

É um apanhado de memórias de uma jornada incrível dessa enorme trilha! A Pacific Crest Trail (PCT) possui 1600 quilômetros (considerando uma medida em linha reta). Começa no Deserto de Mojave, na Califórnia, fronteira com o México; estendendo-se até Washington, fronteira com o Canadá. Cheryl tinha 26 anos quando a percorreu. E o mais surpreendente: nunca tinha feito uma trilha extensa na vida! Gosto de uma descrição inicial do livro sobre a sua experiência de aprendizado de trilhar:

“Agora que estava ali, descalça naquela montanha da Califórnia, realmente em outra vida, parecia que tinham se passado anos desde que tomei a discutível e insensata decisão de fazer uma longa caminhada sozinha na PCT para me salvar. Quando acreditei que todas as coisas que fui antes me prepararam para esta jornada. Mas nada tinha ou poderia ter me preparado. Cada dia na trilha era a única preparação possível para o dia seguinte. E, ás vezes, nem mesmo o dia anterior me preparava para o que viria a seguir.” (Strayed, 2013, p. 15)

Livro livre Cheryl Strayed - livro de viagem

Mesmo para aqueles que não curtem acampamento, essa história vale a pena ser lida. Viajar pode ser uma forma de autoconhecimento e de transformação. Quando Cheryl decidiu enfrentar essa trilha, estava desafiando os seus próprios medos, um caminho desconhecido sobre si mesma e buscando algo que ainda não entendia – uma vida repleta de si.

Encontrar caminhos para a dor da perda é outro ponto importante. Como transformar um sentimento destrutivo em algo transformador? A superação de cada dia no trajeto diz sobre esse esforço diário de deixar esse sofrimento para trás.

Além disso, trata sobre o esforço de continuar a trilha intensamente. Quem já fez longas trilhas sabe que o tempo todo é preciso lidar com o nosso próprio estresse psicológico e com a força para alcançar o ponto final. Lembrei de quando fiz a trilha Grouse Grind da Grouse Mountain em Vancouver.

Trilha Pacific Crest Trail

O livro é inspirador! É um relato poderoso! Para você ter ideia, após o sucesso desse livro, a PCT ganhou uma popularidade surpreendente, efeito “Wild” (nome original do livro) de acordo com o site Mashable

. O percurso nunca foi tão frequentado.

Força da mulher trilheira!

Mais importante é pensar que esse é um relato poderoso feminino de uma mulher trilhando na PCT! Mesmo naquela época, pouquíssimas mulheres fizeram esse percurso sozinha. Se há uma narrativa na sociedade que precisa desaparecer (dentro de tantas outras machistas) é que nós mulheres precisamos sempre estar acompanhadas para fazer viagens, fazer atividades ao ar livre. Ainda hoje, nos deparamos com muitos desafios.

Ainda hoje, somos colocadas em uma posição de inferioridade e em situações de dúvida quando realizamos planejamentos como esse. Vamos encarar essa? Nós não deveríamos nos sentir ameaçadas socialmente por realizar esse tipo atividade, nós não deveríamos ter que sentir medo ou, até mesmo, duvidar de nossa capacidade.

No livro, há uma passagem que Cheryl encontra dois homens em uma data parte e um deles possui um comportamento ameaçador e invasivo. A gente sente toda a aflição descrita pela autora de uma forma bem real.

Livre é também sobre encorajar mulheres! É um convite para que criemos a nossa própria história de trilhas, de viagens.

Mulheres, fortaleçam o espírito aventureiro que existe dentro de vocês! Sozinhas ou acompanhadas! Do jeito que quiserem.

Livro ou filme Livre?

Há sempre aquela pergunta competitiva sobre o que é melhor: o livro ou o filme? Absolutamente, tente ambos! O caminho que fiz foi ler o livro primeiro e depois ver o filme. A adaptação do filme ficou legal, a meu ver. Reese Witherspoon, que interpreta Cheryl, conseguiu trazer a forma feminina da autora e a seleção do roteiro ofereceu as representações mais importantes do livro.

Confesso que a minha preferência é pela leitura e gosto do exercício de criar as nossas próprias imagens a partir das palavras. A história também fica mais poética.

Tire as suas próprias conclusões! O mais significativo é que ambos conseguem trazer a sinceridade dos relatos.

Você gosta sobre literatura de viagem? Recomenda algum livro para mim? Conta aê, viajante!